Hoje, vou me ocupar de um acontecimento que passou um pouco despercebido em Cametá: a reinauguração do nosso Museu Histórico. O museu, muitas vezes esquecido, é um sobrevivente. Digo isso porque o vi em vários momentos, desde a infância, quando ele funcionava por ali por detrás do Centro de Cultura e depois muitas vezes neste mesmo local que o abriga e que agora reinaugura. Nunca tinha estado no nosso museu à noite. Foi encantador vê-lo iluminado, nem que fosse para a pompa do evento público. Tive a minha “noite no museu”!
Salvo engano, Cametá é o único município da Amazônia Tocantina a possuir um museu. Esse fato por si só já seria um grande feito, não fossem os anos e anos de esquecimento aos quais ele foi submetido.
Afinal, qual a função de um museu? Não me ocorre (e nem me socorre) uma citação de algum grande museólogo, mas sabemos de cara que devem ser diversas as funções. Vou começar com dois exemplos pessoais: minha avó sempre guardava as coisas que pareciam sem serventia, dizendo “um dia vamos precisar disso”. E lá estávamos nós, num futuro não muito distante, precisando daquilo que no momento não parecia ter importância e, fora a utilidade mais imediata, eram objetos de lembranças como roupinha de batizado, o primeiro dente, pedaço do cordão umbilical e uns desenhos ininteligíveis. Era certo, sempre nas festas do fim de ano, quando algum parente vinha para Cametá, nós abríamos os álbuns de família e passávamos horas debruçados em lembranças e narrativas. O álbum era o nosso museu. A experiência pessoal me fez entender e valorizar esse pequeno ponto: o museu está ali para que a gente possa olhar o passado e refletir o porvir, para que a gente possa compreender nosso caminho e nossa identidade, para que possamos narrar nossa imagem do passado. Temos um acervo muito pequeno, mas com muitos objetos ainda em vias de catalogação, outros, sem o devido cuidado e proteção, vão apressando sua existência com a ação do tempo. Precisamos entender esse acervo para protegê-lo, precisamos ampliá-lo, precisamos de um espaço em boas condições para que as pessoas tenham confiança em, por exemplo, doar um peça importante para o município aos cuidados do MHC.
Mas, o museu não é mais só acervo. O museu é espaço de arte e de educação, é integrativo, inclusivo, imersivo, etc. Deve estar conectado com as diversas manifestações culturais e artísticas da sua região. O Museu Histórico de Cametá é um sobrevivente e, apesar de tudo, nós gostamos dele, temos orgulho em dizer que temos um museu. É fato que não temos um papel ativo de cidadãos quando falamos de museu, porque muitas vezes relegamos à nossa cultura apenas o epíteto de “capital do carnaval” e deixamos de lado uma diversidade cultural e artística imensos. Inclusive, queria fazer um a parte, ressaltando que apesar de toda importância que damos ao nosso carnaval, não temos ele representado no MHC. É verdade que não cobramos das autoridades, até porque muitos nem sabem que temos um museu e os que sabem se maravilham, mas muitas vezes não se veem ali.
O recém-reinaugurado MHC tem um desafio enorme pela frente, espero que esse sopro museal seja o início de algo maior, que a tinta nova perdure para ser testemunha de mudanças, investimento e interesse. Apesar da bela imagem do Museu aberto à noite, não quero que ele volte para a escuridão.Visite o nosso museu!