Quarta, 23 de Setembro de 2026
24°C 36°C
Cametá, PA
Publicidade

Eleições 2026: uso do WhatsApp exige estratégia e ética

Brasil é um dos maiores mercados do aplicativo de mensagens, que ganhou protagonismo na dinâmica política do país desde 2018 e integra estratégias ...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
25/06/2025 às 16h11
Eleições 2026: uso do WhatsApp exige estratégia e ética
Imagem de pressfoto no Freepik

O aplicativo de mensagens com envio gratuito de textos, áudios, vídeos e chamadas pela internet WhatsApp se popularizou como alternativa ao serviço pago de SMS. Uma pesquisa da Opinion Box sobre uso do aplicativo no Brasil indica que ele é aberto diariamente por nove em cada dez pessoas, e 59% o checam várias vezes ao dia.

O Brasil é o terceiro maior mercado global do WhatsApp, rede social mais usada no país, com 93% de usuários ativos, segundo levantamento da Statista. De acordo com a análise, o uso intenso do aplicativo o colocou no centro das discussões políticas nas eleições de 2018 e 2022.

Paulo Pontes, mercadólogo, estrategista político e CEO da Pontes Comunicação Política, observa que o uso do WhatsApp evoluiu entre os ciclos eleitorais, de um cenário desregulado em 2018 para maior fiscalização em 2022. Para 2026, ele prevê campanhas mais estruturadas, com bases legítimas e foco em conteúdo informativo e legalmente seguro.

“Com alto índice de leitura de mensagens, o aplicativo oferece canal direto de proximidade com o eleitor. Contudo, carrega riscos como desinformação, disparos em massa e uso indevido de dados pessoais, exigindo vigilância constante e regulamentação rigorosa da Justiça Eleitoral”, afirma Pontes.

Segundo o estrategista político, o WhatsApp consolidou-se como uma ferramenta de comunicação direta e de baixo custo que fortalece o vínculo emocional com apoiadores e agiliza a disseminação de informações, especialmente para candidatos de médio e pequeno porte que buscam mobilizar comunidades locais.

O relatório da Statista mostrou que a integração dos anúncios do Facebook e Instagram com o WhatsApp o tornou uma ferramenta essencial para a publicidade digital. Segundo a Procuradoria-Geral da República, o impulsionamento digital de campanhas pode ser feito por candidatos ou partidos, e deve conter identificação clara de propaganda eleitoral.

As regras da propaganda eleitoral na internet também autorizam federações, coligações e seus representantes a contratar e pagar impulsionamento. No entanto, o conteúdo deve promover ou beneficiar candidaturas - nunca divulgar propaganda negativa - e conter o número do CNPJ ou CPF do responsável.   

“Uma estratégia eficaz e legal de disparo começa com o opt-in – consentimento ativo do eleitor para receber mensagens. Isso pode ser por formulário, QR code ou mensagem inicial. Não é envio em massa, mas comunicação segmentada, informativa, transparente, com remetente claro e declarada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE)”, declara o especialista.

Funcionalidades do WhatsApp e ética eleitoral

Pontes pontua que o WhatsApp oferece diversas funcionalidades úteis em campanhas eleitorais, como listas de transmissão para mensagens segmentadas, grupos e comunidades para mobilização e debate, chatbots para atendimento rápido e status para engajamento visual, cuja escolha depende da estratégia e dos objetivos da campanha.

“Nas listas de transmissão, a diferença entre uma estratégia legítima e um disparo em massa ilegal está no consentimento ativo do eleitor e na segmentação. O envio deve respeitar os limites do WhatsApp, ser transparente e informativo. Disparos ilegais usam bases não autorizadas legalmente, automação clandestina e volume excessivo, sem autorização do destinatário, geralmente para espalhar desinformação”, explica o mercadólogo.

Para o especialista, a eficácia aliada à ética e transparência no uso do WhatsApp é plenamente possível e desejável, pois constrói confiança com o eleitor. Para isso, as campanhas devem priorizar a construção da base de contatos com opt-in, garantindo que as mensagens cheguem a quem realmente tem interesse, o que eleva a taxa de abertura e engajamento.

“É fundamental produzir conteúdo relevante e verdadeiro, focando em propostas, agenda, prestação de contas e informações úteis. Além disso, as mensagens devem identificar claramente o remetente — candidato, partido ou comitê — fortalecendo a credibilidade e evitando o anonimato, comum em práticas abusivas”, aponta Pontes.

O mercadólogo ressalta a importância de respeitar a privacidade, definindo uma frequência razoável e respeitando horários para não sobrecarregar o eleitor. Segundo ele, é importante oferecer opt-out – canais de saída – para que o eleitor tenha liberdade e praticidade para deixar de receber as mensagens.

“A automação, como o uso de chatbots, deve ser aplicada para serviço ao eleitor, respondendo dúvidas e fornecendo informações, não para disparar mensagens indiscriminadamente. As campanhas devem se posicionar ativamente contra a desinformação que as afeta ou que é gerada em seu nome, e colaborar com as iniciativas do TSE”, orienta o estrategista político.

Para Pontes, o uso ético do WhatsApp em campanhas deve se basear em princípios claros como a transparência, os objetivos da comunicação e a identificação do remetente. De acordo com o especialista, o compromisso de não disseminar fake news, desinformação ou conteúdos manipulados é fundamental.

“A responsabilidade pelo conteúdo e pelas práticas de comunicação é um princípio essencial, assim como a lealdade, que implica não usar a plataforma para ataques pessoais, difamação ou disseminação de ódio contra adversários”, alerta o especialista.

De acordo com o CEO da Pontes Comunicação Política, a privacidade também deve ser respeitada, evitando o uso indevido de dados pessoais. Ele pontua, ainda, a importância do equilíbrio, para que a comunicação direta não se transforme em assédio digital, respeitando o espaço e o tempo do eleitor.

“Para evitar práticas abusivas ou manipuladoras é essencial que haja inclusão e acessibilidade, como forma de garantir que a comunicação seja clara e adequada a diversos públicos, evitando linguagens excessivamente técnicas ou excludentes, assegurando que todos possam compreender as mensagens transmitidas”, ressalta Pontes.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Divulgação Inter Invest Summit
Tecnologia Há 12 minutos

Inter Invest Summit reúne grandes nomes do mercado em BH

Segunda edição do evento proprietário do Inter ocupa a Arena MRV, em Belo Horizonte, no dia 26 de setembro, com mais de oito horas de programação. O encontro traz painel com José Roberto Guimarães, Jaqueline Carvalho e Murilo Endres, debates sobre...

Zero11
Tecnologia Há 24 minutos

Escolhas estratégicas impulsionam o marketing para 2027

Fernando Godoy, da Zero11, analisa pesquisas do CMO Survey (Duke University/Deloitte) e da Forrester e traduz o cenário global em direcionamento prático para o planejamento de marketing. Com orçamentos achatados e cobranças por resultado cada vez ...

Arquivo Institucional
Tecnologia Há 2 horas

Educação profissional registra crescimento de 24% em 2025

Em 2025, a educação profissional brasileira atingiu 3,18 milhões de matrículas, aumento de 24% em relação a 2024, conforme dados do Censo Escolar do Inep. Cursos técnicos subsequentes, destinados a quem já concluiu o ensino médio, contabilizaram 8...

Créditos: arquivo pessoal
Tecnologia Há 2 horas

Business Rock debate tecnologia e inovação no esporte

Em entrevista ao apresentador SanDRÃO, Dr. Turíbio, que atuou por 25 anos no São Paulo Futebol Clube, aborda a evolução da fisiologia, individualização da preparação esportiva e avanços tecnológicos que transformaram o acompanhamento dos atletas

Fonte: Imagem criada com IA (ChatGPT)
Tecnologia Há 2 horas

Reforma Tributária leva foco para atualização dos ERPs

Período de transição da Reforma Tributária amplia a necessidade de atualização dos sistemas de gestão; split payment reforça integração entre fiscal, financeiro e ERP.