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Certificação digital avança e requer ajuste no setor público

ICP-Brasil amplia a agenda de confiança digital e demanda coordenação federativa.

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
09/03/2026 às 13h07
Certificação digital avança e requer ajuste no setor público
Freepik

Fazendas estaduais, tribunais, juntas comerciais e milhares de prefeituras em todo o país terão de atualizar seus sistemas para acompanhar a implantação da nova cadeia V12 da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira (ICP-Brasil), base tecnológica que sustenta a emissão e o uso de certificados digitais no setor público e privado. A mudança impõe uma frente de trabalho relevante em tecnologia da informação para governos e prestadores de serviços, além de demandar coordenação regulatória e ajustes contratuais.

A nova cadeia substitui gradualmente a atual arquitetura criptográfica utilizada pelo ecossistema nacional de certificação. Embora a cadeia hoje em vigor só expire formalmente em março de 2029, regras técnicas já impõem marcos intermediários relevantes: a partir de março deste ano, deixa de ser possível emitir certificados do tipo A3 com validade de três anos para pessoas físicas se os ambientes de consumo ainda não estiverem preparados para operar com a V12.

Esse cronograma reforça a necessidade de planejamento orçamentário para entes públicos que dependem intensamente de assinaturas digitais qualificadas para arrecadação tributária, tramitação processual, registros empresariais e prestação de serviços ao cidadão. Plataformas fiscais estaduais, sistemas judiciais, bases das juntas comerciais e aplicações municipais integradas ao governo federal terão de passar por ciclos de testes, homologação e atualização tecnológica, com reflexos diretos sobre contratos de TI e planos plurianuais.

A coordenação entre reguladores, órgãos centrais de governo digital e prestadores privados é vista como fator-chave para uma transição previsível. Segundo Márcio Nunes, diretor-presidente da Associação Nacional de Certificação Digital (ANCD), a criação de uma "janela nacional de atualização" é essencial para organizar o processo sem sobressaltos.

"O ponto central agora é garantir a continuidade dos sistemas utilizados pelos cidadãos e pelas empresas. Estamos falando de planejamento, testes e previsibilidade, não de ruptura. A atualização já começou no âmbito federal, mas precisa se espalhar naturalmente para estados, municípios e para o Distrito Federal", afirma.

De acordo com ele, plataformas estruturantes da administração pública federal,  como o Gov.br, a Receita Federal do Brasil, o Serpro e a Conectividade Social da Caixa Econômica Federal, já implementaram a nova cadeia V12, criando uma base para a expansão da atualização em todo o setor público.

Nunes acrescenta que o alinhamento antecipado reduz riscos contratuais e evita ajustes emergenciais. "Quanto antes houver coordenação entre governo e mercado, melhor para todos. Isso permite que os órgãos públicos se preparem com tranquilidade e que os contratos em vigor sigam sendo executados normalmente", diz.

Ele ressalta ainda que novas aplicações associadas à V12 serão introduzidas de forma gradual. Segundo o dirigente, o certificado de selo eletrônico que substituirá o tradicional A1 para pessoas jurídicas só deverá ser ofertado ao mercado após sinalização positiva da Receita Federal, justamente para evitar riscos operacionais às empresas. "A lógica é evoluir com segurança e coordenação institucional. O foco imediato é assegurar que os serviços digitais continuem funcionando plenamente", conclui.

Na avaliação da ANCD, a V12 é uma peça-chave para a próxima fase da digitalização do Estado brasileiro. Além de preservar elevados padrões de segurança criptográfica, a nova arquitetura foi concebida para suportar aplicações em escala nacional, novos modelos de autenticação e instrumentos eletrônicos para pessoas jurídicas, ampliando a eficiência administrativa no médio prazo.

Para a administração pública, o recado é econômico antes de ser apenas tecnológico: a migração exige planejamento financeiro, coordenação federativa e integração entre políticas de governo digital e compras públicas. Com milhares de órgãos dependentes da infraestrutura nacional de confiança digital, a forma como a V12 será incorporada tende a influenciar o ritmo da digitalização dos serviços estatais ao longo da próxima década.

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