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CAMETÁ NA COROAÇÃO DE D. PEDRO II

Foi um cametaense que coroou o último imperador do Brasil

Arodinei Gaia
Por: Arodinei Gaia
27/08/2024 às 21h31 Atualizada em 26/09/2024 às 19h11
CAMETÁ NA COROAÇÃO DE D. PEDRO II

CAMETÁ NA COROAÇÃO DE D. PEDRO II

             

Foi um cametaense que coroou o último imperador do Brasil

O município de Cametá, inegavelmente, é construtor da história do país. Talvez hoje um pouco menos, porém outrora muito mais presente. Vários filhos da terra já estrelaram momentos simbólicos e marcantes desse longo recorte de quinhentos anos, pós colonização.

            Um desses momentos ocorreu em 1841. Data histórica, quando o herdeiro do trono brasileiro fora coroado no Rio de Janeiro sob o olhar e benção de um cametaense. Isso mesmo! Em 18 de julho de 1841, Pedro de Alcântara com apenas 15 anos de idade foi coroado Imperador do Brasil na capela imperial e quem celebrou o ato religioso de coroação foi o sacerdote cametaense D. Romualdo Antônio de Seixas que na época era Arcebispo da Bahia e Primaz do Brasil.

            D. Romualdo de Seixas nasceu em Cametá no Rio Mutuacá no dia 1° de novembro de 1787. Em 1808, quando a corte portuguesa chegou ao Brasil, D. Romualdo de Seixas foi, em nome do clero paraense, cumprimentar o regente D. João VI. Recebeu vários títulos e condecorações de D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II como o título nobiliárquico de Marquês de Santa Cruz, concedido em 1860.

            Porém, diante de tanta importância histórica no país, D. Romualdo de Seixas parece não possuir a mesma importância em sua terra. Na verdade, até tem, mas de forma mais evidente na cidade onde emprestou seu nome à uma escola que hoje, depois de sediar o Centro de Formação da SEMED, vive na inatividade. O prédio do antigo grupo escolar D. Romualdo de Seixas está localizado em frente à praça da bandeira e chora à míngua aguardando reforma ou mesmo restauração por conta de seu valor histórico. O prédio é uma riqueza do município cametaense que guarda resquícios do século XIX.

Entretanto, além do reconhecimento ao nome de Romualdo de seixas é preciso reconhecer também o nome de seu chão natal, o Rio Mutuacá, onde está enterrado seu umbigo. Mutuacá, é uma localidade ribeirinha fincada em meio ao Rio Tocantins, próximo da cidade de Cametá. Este lugarejo precisa ser notado, precisa de maior evidencia na história municipal, estadual e nacional. Afinal de contas, foi um filho seu que coroou o último imperador do Brasil. 

D. Romualdo de Seixas                                    D. Pedro II

            O Rio Mutuacá precisa vir para a história, precisa ser reconhecido como o lugar de origem do homem que colocou a coroa na cabeça de Pedro II. A beirada onde localizou-se a residência de nascimento do religioso precisa ser demarcada com um monumento que registre essa história servindo, inclusive, de ponto turístico.

            O governo municipal precisa construir um memorial no local onde D. Romualdo de Seixas nasceu, não só por ter sido a figura protagonista da sagração do imperador, mas por tudo que realizou em sua trajetória, seja como destaque na vida religiosa ou como um dos políticos mais atuante da época quando exerceu cargo como parlamentar na câmara provincial e imperial.

De acordo com o professor e líder comunitário do Rio Mutuacá Rubem Valente, o que tem na referida localidade em referência ao religioso é apenas um busto em concreto em exposição no centro comunitário de Mutuacá de Cima e um cruzeiro em frente à igreja de Mutuacá de Baixo, porém o local onde o religioso nasceu não possui nada que o identifique e corre o sério risco de se perder nas lembranças do passado.

            Na oportunidade deve ser fazer também um memorial a D. Romualdo Coelho, no Rio Moiraba, lugar situado entre vila do Carmo e vila de Areião. No Rio Moiraba havia uma cruz em homenagem ao bispo, sobrinho de D. Romualdo de Seixas que hoje, do mesmo modo, já fora engolida pelo esquecimento.

            A localidade ribeirinha de Mutuacá ainda é conhecida pelas festividades religiosas, pela educação, economia extrativista do açaí, pesca e ainda, pela manifestação cultural como o carnaval das águas, berço do bloco Majestade da Folia.

                                                              Mutuacá      

            O interior cametaense tem uma importância gigante para a história e cultura do município e os filhos do interior levaram o nome de Cametá para longe, seja pelas mãos da arte, da política ou da religião, e justamente por isso estes lugarejos, desenhados em forma de Rios, Ilhas, Vilas e Colônias, precisam ser olhados com mais atenção pelo poder público, antes que toda essa história “faleça” nas mãos do esquecimento.

 

 

Arodinei Gaia: Historiador, Escritor e poeta cametaense.

Fonte:

-  Instituto Brasileiro de Museus. Museu imperial. https://museuimperial.museus.gov.br/

- O arcebispo que coroou D. Pedro II. https://dominusvobis.blogspot.com/2012/11/o-arcebispo-que-coroou-dom-pedro-ii.html. Consultado em 27/08/24.

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