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CDB rende mais que a poupança com garantia do FGC

Levantamento da Meelion compara aplicações de R$ 1 mil a R$ 1 milhão e aponta vantagem do CDB, que paga 100% do CDI sobre a poupança em simulações ...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
30/03/2026 às 19h27
CDB rende mais que a poupança com garantia do FGC
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Levantamento recente da Meelion detalhou a diferença de rendimento entre a caderneta de poupança e um Certificado de Depósito Bancário (CDB) que paga 100% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI) em aplicações de um ano, com valores que vão de R$ 1 mil a R$ 1 milhão. Na simulação publicada pela empresa, feita no contexto de Selic a 15% ao ano, a vantagem líquida do CDB variou de R$ 38,54, na menor faixa analisada, a R$ 38.537,50, no cenário de R$ 1 milhão.

O tema ganhou novo fôlego após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em março, de reduzir a taxa básica para 14,75% ao ano. Ainda assim, o pano de fundo da comparação segue praticamente intacto: enquanto a Selic permanecer acima de 8,5% ao ano, a remuneração da poupança continua sujeita à regra de 0,5% ao mês acrescida da Taxa Referencial (TR), ao passo que o CDB pós-fixado acompanha a dinâmica do CDI, índice que historicamente orbita muito próximo da taxa básica.

Na prática, isso significa que a poupança continua operando com um teto de remuneração relativamente rígido em um ambiente de juros ainda elevados. Já os títulos bancários indexados ao CDI seguem capturando de forma mais direta o patamar monetário do período. A consequência é uma diferença de retorno que passa a ser percebida não apenas em patrimônios mais altos, mas também em aplicações menores, inclusive nas usadas para reserva de emergência.

A metodologia descrita no levantamento considera o mesmo prazo de aplicação para os dois produtos e adota, no caso do CDB, alíquota de 17,5% de Imposto de Renda, correspondente a investimentos com prazo entre 361 e 720 dias. O objetivo, segundo a empresa, foi medir o valor líquido projetado para o resgate, e não apenas a taxa anunciada no momento da aplicação. Esse recorte ganhou relevância porque parte das comparações feitas pelo investidor pessoa física ainda privilegia o percentual nominal, sem incorporar tributação, liquidez contratual e regra efetiva de remuneração.

Nos valores mais baixos, a diferença já aparece de forma objetiva. Para uma aplicação de R$ 1 mil, o estudo projeta rendimento líquido anual de R$ 116,58 no CDB, ante R$ 78,04 na poupança. Na faixa de R$ 10 mil, os valores sobem para R$ 1.165,80 no CDB e R$ 780,40 na poupança, o que representa diferença de R$ 385,40 em um ano. Embora os montantes absolutos sejam menores nessas faixas, a distância percentual entre os produtos ajuda a explicar por que a discussão deixou de se restringir a investidores com patrimônio mais elevado.

No recorte de R$ 100 mil, a simulação indica rendimento líquido anual de R$ 11.658,17 no CDB, contra R$ 7.804,42 na poupança. Nesse caso, a diferença chega a R$ 3.853,75 em 12 meses. Já no cenário de R$ 1 milhão, o CDB alcança R$ 116.581,72 de rendimento líquido anual, enquanto a poupança fica em R$ 78.044,22. A diferença entre os dois produtos, de R$ 38.537,50 no período, mostra como pequenas variações de regra e indexador se tornam materialmente relevantes quando aplicadas sobre volumes maiores de capital.

Segundo Dan Marks Printes, CEO fundador da Meelion, a discussão sobre renda fixa tem avançado para além da taxa de prateleira e passado a considerar o retorno efetivo no vencimento ou no resgate. "Quando a Selic permanece em patamar elevado, comparar apenas a taxa nominal pode distorcer a decisão. O investidor precisa olhar o valor líquido projetado no resgate", diz.

Na avaliação de Eduardo Horvath, também cofundador da empresa, a leitura isolada do percentual anunciado ainda leva parte do mercado a subestimar o efeito combinado da tributação e da estrutura de cada produto. "A leitura isolada do percentual anunciado ainda leva parte do mercado a subestimar o efeito da tributação, da liquidez e da base de cálculo de cada produto. A comparação correta precisa considerar o resultado final da aplicação", afirma.

A diferença entre os dois investimentos decorre da própria arquitetura de remuneração. No caso da poupança, a regra em vigor desde 2012 limita o ganho quando a Selic supera 8,5% ao ano. Já no CDB pós-fixado a 100% do CDI, o retorno acompanha a taxa de referência do mercado interbancário. Mesmo com a incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos, a simulação mostra vantagem para o CDB em todas as faixas analisadas.

A tabela regressiva de Imposto de Renda também ajuda a explicar por que o prazo da aplicação altera o retorno líquido, mas não necessariamente muda a liderança entre os produtos. Pela legislação, a alíquota cai de 22,5% em aplicações de até 180 dias para 20% entre 181 e 360 dias, 17,5% entre 361 e 720 dias e 15% acima de 720 dias. No estudo, a janela de um ano foi usada para refletir um horizonte intermediário, comum em comparações entre reserva de liquidez, caixa conservador e alocação de curto a médio prazo.

Outro ponto considerado no debate é a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que cobre produtos elegíveis, como poupança e CDB, até o limite de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ e por instituição financeira. Isso significa que, para valores mais elevados, a comparação de rentabilidade precisa ser acompanhada de uma discussão sobre diversificação entre emissores. Em aplicações menores, a existência da garantia tende a reduzir a percepção de diferença de risco entre deixar o dinheiro em poupança ou migrar para um CDB elegível coberto pelo mecanismo.

Para a Meelion, a comparação entre os dois produtos ganhou relevância adicional em um momento em que a renda fixa voltou ao centro da decisão patrimonial de famílias e investidores conservadores. Com juros ainda em dois dígitos e mudança recente na taxa básica, o debate sobre onde o capital de menor risco está alocado deixou de ser apenas uma questão de conveniência e passou a ter impacto visível sobre o resultado financeiro acumulado ao longo do ano.

O levantamento também chama atenção para um aspecto recorrente na educação financeira brasileira: produtos percebidos como simples e tradicionais tendem a manter espaço relevante mesmo quando deixam de ser competitivos em termos de retorno. Nesse contexto, comparações baseadas em valor líquido no resgate passaram a funcionar como um instrumento de leitura mais aderente à decisão real de investimento, especialmente em fases de juros elevados.

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