Sábado, 25 de Julho de 2026
24°C 32°C
Cametá, PA

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

Um ensino limitado ou educação que não deu certo?

Arodinei Gaia
Por: Arodinei Gaia
15/11/2024 às 08h48 Atualizada em 27/11/2024 às 00h58
EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA

EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA: um ensino limitado ou educação que não deu certo?

Arodinei Gaia

Paulo Tavares 

Você colocaria seu filho para estudar o ensino básico através de uma televisão à distância?

Há algum tempo certos governos ou mesmo burocratas de gabinetes vêm flertando com a Educação à Distância no ensino básico.

Sabe-se que nessa modalidade educacional alunos e professores estão separados fisicamente, ou melhor não tem a figura do professor apenas um monitor, por isso, utiliza-se meios e tecnologias de informação e comunicação. Meios tecnológicos esses que seriam bem-vindo para auxiliar os docentes em sala de aula e não para substituí-los. A presença dos mestres é indispensável para imprimir regras, ensinar e manter laços humanos no ensino.

Após algumas tentativas frustradas veio a pandemia que, decididamente, mostrou ao mundo que a educação à distância é um engodo e que o ensino presencial ainda é a melhor e única capaz de produzir de fato conhecimento e aprendizado nas escolas. O ensino a distância necessita muito de foco, compromisso, maturidade e disciplina para o estudo, elementos que adultos já são carentes imaginem então crianças e adolescentes.

Na pandemia houve a experiência catastrófica com o ensino remoto (distância) onde os estudantes recebiam atividade faziam em casa e depois devolviam para as devidas correções. O resultado foram dois anos perdidos de ensino que as escolas ainda tentam recuperar. Naquela época, alunos de universidades trancaram cursos ou desistiram de disciplinas quando estas passaram a ser online, pois não se identificaram com a falta da dinâmica presencial que envolve o ensino.

Então, se em tempo de pandemia o ensino à distância não funcionou, porque alguns ainda teimam fazer uso dela? A única resposta é a diminuição de gasto com a educação, o que nos permite afirmar que a medida já está errada pois educação não é gasto, mas sim investimento a qual o povo brasileiro tem direito constitucional e inviolável. A bem da verdade, a educação necessita daquele investimento tão bem prometido nos palanques eleitorais.                                             

                   

Numa sala de ensino médio ou fundamental onde precisa de 12 docentes para ensinar, com o ensino tecnológico fica somente 01, ligando e desligando os aparelhos. O que irá destruir sonhos de estudantes que um dia pensam ser professor, ou universitários que estudam licenciatura sonhando atuar na rede estadual e municipal. Concurso já era!! Uma vez que as máquinas irão fazer sobrar docentes nas redes de ensino, muitos demitidos outros removidos. É ruim para todos, inclusive para os professores do regular que terão suas cargas horárias ameaçadas.

Outro problema é a implantação dos equipamentos nas escolas. Para a região amazônica, por exemplo, onde nos deparamos com a qualidade ruim do sinal de internet, causados por alguns fatores como a questão climática, prejudica o andamento das atividades, impossibilitando o acompanhamento das aulas. A internet precisar ser de boa qualidade e estável, mas também o seu custo é muito alto. Sem sinal de internet significa “não ter aula”. Outra questão é a segurança, as escolas ribeirinhas estarão vulneráveis aos roubos de equipamentos eletrônicos das salas.

Soma-se a isso o abastecimento irregular de energia elétrica. É muito comum, no interior a interrupção no abastecimento de energia e que, geralmente ficam dias, causando grandes e variados prejuízos para população e consequentemente aos estudantes que ficarão dias também sem aula.

Até o MEC já definiu que as Universidades que oferecem cursos no modelo a distância, obrigatoriamente, devem ter pelo menos 50% de carga horária presencial. Portanto, se no ensino superior a EaD é problemática imagine no ensino básico?

Também o parlamento brasileiro está votando um projeto que proíbe o uso de celular nas escolas atendendo um clamor que indica o baixo no rendimento causado pelo mau uso e a distração que o aparelho provoca acarretando prejuízos ao aprendizado e a interação social. Outros Estados como São Paulo já se anteciparam e também estão proibindo o uso do aparelho.

Outra questão a se destacar é que o estudante vive, hoje, um problema que o psiquiatra Augusto Cury denomina de SPA, Síndrome do Pensamento Acelerado (vide a onda dos tiks- toks da vida). O jovem não consegue se concentrar ou focar muito tempo em vídeos de médios tempos imagine passar quatro horas numa aula assistindo televisão? 

   

Países desenvolvidos que já experimentaram o ensino por meio digital, hoje estão revendo. Um exemplo é o caso da Suécia que investiu na produção de materiais digitais e hoje voltou a usar livros impressos pois o governo detectou queda no rendimento e diminuição da aprendizagem dos estudantes através das telinhas.

Precisamos que nossos estudantes vivam mais o muno real, pois o virtual está tomando conta de suas vidas. É preciso mais contato pessoal e menos mediação tecnológica. Em casa, os pais já querem que seus filhos deixem mais a tecnologia virtual. Televisão, o estudante tem em casa o que ele precisa são de professores de todas as disciplinas na escola.

No entanto, diante de tantos indícios do fracasso da educação à distância para jovens e adolescente o Estado do Pará parece andar na contramão da coerência e da lógica quando anuncia implantar o referido ensino à distância substituindo o ensino presencial no interior da Amazônia. Através do secretário de educação Rosielli Soares que é defensor da E a D (Educação a Distância) o governo paraense autorizou a implantação do CEMEP (Centro de mídias do Pará) antigo SEI, onde o aluno irá estudar através de uma televisão com a presença única de um tutor para ligar e desligar o aparelho, e ele ainda tendo que orientar os estudantes em todas as disciplinas, o que é um absurdo ainda maior. Uma escola que necessitava de 10 a 12 docentes irá ficar apenas 01. O secretário chama de ensino presencial por meio tecnológico, porém se não terá professores nas salas e os estudantes apenas assistirão pela tv é lógico que se trata de ensino à distância.

Localidades que aceitaram o CEMEP hoje convivem os problemas inerentes a ela e sinalizam para que seus filhos voltem a estudar com professores no formato convencional. Pois um tutor não consegue ensinar as disciplinas para qual não se formou. O modelo CEMEP pretende que o tutor oriente: matemática, português, história, física, biologia, química, sociologia, filosofia, geografia, língua estrangeira, etc. Isso é o cúmulo do absurdo, pois nem gênios como Albert Einstein e Da Vinci dariam conta.

Sem dúvida que a utilização de tecnologia na escola oferece inúmeras vantagens, mas precisamos ponderar que seja utilizada como recurso do professor em sala de aula para ajudar o docente e não o tirar da sala. E para isso, oferecer formação adequada é essencial para que os educadores possam integrar a tecnologia oferecida pela escola de maneira eficiente em sua disciplina e método de trabalho.

  Será que os secretários de educação, governantes, técnicos de ensino colocariam seus filhos para estudar na modalidade do ensino à distância? Ou com apenas videoaula sem afigura do educador e educadora? Com toda certeza não. E como querem empurrar goela abaixo essa modalidade defeituosa aos filhos de trabalhadores?

O ensino presencial/tradicional onde já foi implantado precisa ser mantido. Mas é necessário investimento em infraestrutura, melhorar os espaços escolares, salas de aula aconchegantes, quadro docente completo, formação pedagógica por área de conhecimento, transporte e alimentação escolar regionalizada, valorizar o professor garantindo sempre sua jornada para que não sofra prejuízos.

É fácil para um técnico de gabinete ou governantes que tem seus filhos estudando nas melhores escolas no regime presencial, querer empurrar goela a baixo o ensino à distância para filhos de trabalhadores e trabalhadoras que moram nos lugares distantes dos centros urbanos.

Educação de qualidade se faz com investimento e não com economia. Ensino por meio televisivo sem os mestres e mestras dando aula é mais uma ofensa contra o ensino público.

Educação presencial é a melhor forma de ensino e escola com docentes substituídos por televisão perde sua função.

 

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários