Geral 123
Os caminhos do fascismo no Brasil: o caso de Cametá.
Nos bastidores do poder
21/07/2024 10h02 Atualizada há 2 anos
Por:

 

Benetido Pompeu Pré-candidato a Prefeito

 

 

 

Os caminhos do fascismo no Brasil: o caso de Cametá.

 

Desde as eleições municipais de 2020 até as atuais, identifica-se um grave problema, a fragilidade das siglas partidárias! A simples análise das ações de suas direções, em sua maioria provisória que tem como meta a preparação e organização do partido para se tornarem definitiva, com mandato estabelecidos em estatutos, mas acima de tudo, como regras claras e definidas para ser debatidas as orientações partidárias em sua célula menor: o município.

Não é de hoje que e vimos, com certo temor, que essas siglas que chamávamos de aluguel, tem se adaptado as novas legislações, que tendam coibir esse processo de comprar pelo poder econômico dos partidos políticos no Brasil. Aqui mesmo no Pará, em 2020, em sua capital Belém, dois candidatos que apareciam bem posicionados nas pesquisa para prefeito da cidade, tiveram suas aspirações democráticas suspensas quando a direção de seus partidos, negaram a sua participam no pleito. Assim, ficou claro, que houve interferência política e econômica na democracia interna dos respectivos partidos políticos.

Isso não foi um fato isolado, basta pesquisa, quantas comissões provisórias foram mudadas, as vésperas da eleição de 2020, fato esse que é um fenômeno no Brasil inteiro, como sugestão, basta verificar o histórico disponibilizado no próprio site da Justiça Eleitoral. Contudo, o que nos importa nesse momento é verificar como essas estratégias de tomada da direção partidária, de impedir candidatos a justa proposição de seus nomes para disputa eleitoral, para terem em seu nascedouro uma proposta morta.

Para além da crítica sobre a formação e constituição dos partidos políticos no Brasil, de sua historicidade de legendas de aluguel, de enormidade de partidos e federações existentes, que recebem dinheiro público, o fato é que, as estruturas partidárias que deveriam ser reforçadas com as atualizações nas leis, na fiscalização do Justiça e na prestação de contas a sociedade. Tem se tornado apenas uma caricatura de sistema partidário no Brasil.

O exemplo de Cametá é nítido, após um viés na direção nacional do Solidariedade, o partido parece que foi a leilão em diversos estados, as direções estaduais foram precificadas e vendidas a maior oferta. Aqui no Pará não parece que foi diferente, para longe das lutas para organização do partido no dia a dia da comunidade de Cametá, dos debates nas ilhas e regiões, da participação popular em sua construção. O partido no Pará foi apenas dividido pelos seus compradores.

E com isso se começa a utilizar das manobras para se impedir ou desqualificar candidatos que tem potencial eleitoral, como é o caso do Sr. Benedito Pompeu em Cametá, líder nas pesquisas, Pompeu sofreu essa última semana uma espécie de golpe branco, sendo substituída a comissão provisória municipal de Cametá, as vésperas da convenção que indicaria seu nome para ser o candidato a prefeito. Prática que já discutimos na abertura desse pequeno artigo, mas que é consolidade por um tipo de político que tem medo da disputa, prefere ganhar nos bastidores, e que usa o poder financeiro para fazer política.

A democracia precisa das divergências e do respeito as instituições, o poder econômico não pode e nem deve ser único ator nessa novela que é a eleição, os verdadeiros protagonistas devem ser o povo, tendo sua opinião respeitada na hora do voto.

Contudo, os ditos algozes, se esquecem das recentes mudanças na legislação eleitoral, mas não cabe a mim fazer uma análise jurídica desse processo, mas compreender que nossos direitos como cidadão e cametaenses, e que nossas opiniões devem ser resguardadas pela Justiça Eleitoral e que os métodos antidemocráticos, como a tomada arbitrária de direções municipais, de impedimentos de candidatos com chances reais de vitória por práticas de abuso de poder econômico, não encontram mais espaço na democracia de nosso país, de nosso estado e de nosso município.

O fascismo de ações desse nível não tardará a encontrar suas limitações e que práticas como essas devem ser abolidas da convivência política em nossa sociedade. Em Cametá, mesmo com a indicação de uma nova e ilegítima direção municipal, mesmo com a suspensão da convenção para indicação de Pompeu candidato e com isso a falência do partido na cidade, afinal de contas para que serve o partido se não indica ninguém para participar de seu foco principal que é as eleições no município?

O fato é que na sua pressa em querer tomar o Solidariedade das mãos de Pompeu e do povo de Cametá, o tiro saiu pela culatra, o debate agora está nas mãos do tribunal de justiça eleitoral, caberá a justiça fazer, no prazo mais curto possível a reversão dessa injustiça e colocar novamente em pé de igualdade as forças políticas que disputam esse processo e que a decisão seja nas urnas no dia 06 de outubro e não no tapetão como querem os covardes.

 

Marcelo Bastos.

Professor de Metodologia da Pesquisa Científica, ativista social e cidadão.