Terça, 27 de Outubro de 2026
24°C 36°C
Cametá, PA
Publicidade

Caminhos para Romper os Ciclos de Abuso Psicológico Feminino

Psicóloga ressalta a urgência de políticas públicas para apoiar as vítimas de abuso emocional

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
20/12/2024 às 18h56
Caminhos para Romper os Ciclos de Abuso Psicológico Feminino
Acervo pessoal autorizado

A violência psicológica é uma crise que afeta milhões de mulheres no Brasil e reflete, diretamente, a autoestima e autonomia das vítimas. Embora reconhecida como crime pela Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), esse tipo de abuso ainda é subnotificado e negligenciado, segundo a psicóloga Kennya Rodrigues Nézio, especialista no tema e em Gestão Pública de Organizações de Saúde pela UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 apontaram que em 2023 foram registrados mais de 778 mil casos de ameaças e 77 mil casos de perseguição (stalking), o que representa os aumentos de 16,5% e 34,5%, respectivamente, em relação ao ano anterior. No entanto, Kennya alerta que esses números são apenas a ponta do iceberg e que, por isso, as mulheres têm de receber todo apoio possível de maneira urgente. A violência psicológica não deixa marcas visíveis, mas destrói a saúde emocional das vítimas, comprometendo sua capacidade de recomeçar, explica.

A psicóloga descreve que quem pratica este tipo de violência, geralmente o companheiro da mulher, usa uma estratégia contínua de desvalorização, projetada para paralisar a vítima. O abuso mina a autoconfiança e pode causar ansiedade, depressão e dificuldades de concentração, afetando a vida pessoal e profissional das mulheres, destaca. Esses impactos se refletem diretamente no ambiente de trabalho, onde muitas vítimas enfrentam dificuldades para se manter produtivas, o que agrava a dependência financeira em relação ao agressor e perpetua o ciclo de violência. 

Kennya enfatiza que o recomeço para essas vítimas é muito difícil e, por isso, é tão necessário o apoio, em todas as esferas. Sem políticas públicas adequadas, essas mulheres enfrentam enormes desafios, especialmente no campo da empregabilidade, que é crucial para romper com o ciclo abusivo, afirma. A especialista aponta que a ausência de estabilidade financeira e apoio psicológico adequado faz com que muitas permaneçam em relacionamentos abusivos por falta de alternativas.

Para combater a violência e oferecer às vítimas a oportunidade de reconstruir suas vidas, Kennya defende a implementação de medidas concretas. É fundamental, segundo ela, implementar programas de empregabilidade que ofereçam capacitação, recolocação profissional e suporte psicológico, além de ampliar o acesso a centros de atendimento psicológico gratuitos para garantir acompanhamento contínuo. Também é necessário promover campanhas de conscientização nas empresas, orientando empregadores a identificar e apoiar funcionárias que enfrentam essa realidade, o que contribuirá para romper o ciclo de abuso.

Como especialista no tema, posso afirmar que a violência psicológica não é apenas um problema individual; é uma questão de saúde pública e justiça social. Seu impacto é profundo e devastador, mas pode ser superado com políticas públicas eficazes, apoio comunitário e conscientização ampla. O Brasil precisa urgentemente priorizar medidas que não apenas protejam, mas também empoderem as vítimas, oferecendo a elas a possibilidade de recomeçar, finaliza.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Divulgação/Vibra
Sociedade Há 5 horas

Vozes pela Proteção rompe silêncio sobre violência sexual

Iniciativa do Movimento Violência Sexual Zero percorre cinco capitais brasileiras entre outubro de 2026 e o primeiro semestre de 2027, combinando instalação imersiva, musical, rodas de conversa e ações educativas para ampliar a conscientização e a...

Freepik
Sociedade Há 8 horas

Retrofit valoriza imóveis em SP e exige rompedor compacto

O Centro de São Paulo reúne 49 edifícios em processo de requalificação, com 13 obras concluídas e potencial para cerca de 5 mil moradias, segundo a Prefeitura. Em maio, uma portaria municipal criou um grupo técnico para agilizar o licenciamento da...

Foto: Reprodução
Sociedade Há 9 horas

Municípios mineradores podem perder R$ 2 bi com reforma

Estudo da UFMG aponta risco de perdas bilionárias com a mudança na distribuição dos impostos. Impactos da reforma, que terá novas etapas a partir de 2027, estarão entre os temas do Encontro Nacional dos Municípios Mineradores, que será realizado e...

Pexels
Sociedade Há 1 dia

Concurso da PM de SC abre inscrições para 500 vagas

Concurso Público para Soldado exige nível superior e oferece remuneração de R$ 8.505 durante o curso de formação, mais auxílio-alimentação de R$ 550. Inscrições vão até 16 de novembro.

Anderson Fernandes (Agir)
Sociedade Há 1 dia

Agir fortalece pesquisa e lança revista científica em saúde

Novo periódico institucional, apresentado na 7ª Jornada Científica Agir, reunirá produções técnico-científicas nas áreas de saúde, gestão, inovação, educação e pesquisa aplicada