Hoje, 20 de janeiro de 2025, às margens do rio Araticu, Oeiras do Pará comemora seus 267 anos de fundação. O aniversário do município émais do que uma celebração, é uma homenagem às tradições, à cultura e às conquistas do povo que construiu e segue construindo a his
Um legado histórico de transformações
A história de Oeiras do Pará é marcada por transformações históricas que remontam aos primeiros contatos entre colonizadores e povos originários. Conforme explica o historiador e pesquisador oeirense José Ivanildo Araújo da Silva, "no início, Aldeia de Araticu, depois Vila de Oeiras, mais adiante Cidade de Araticu e, por fim, Cidade de Oeiras do Pará", consolidando a identidade histórica do município.
Segundo o historiador, em 1661, os jesuítas da Companhia de Jesus da Amazônia organizaram a Missão de Araticu, ou Aldeia de Araticu, a qual deu origem ao município atual. A presença dos jesuítas no rio Araticu, desde 1653, estabeleceu um dos mais importantes aldeamentos indígenas da região, servindo como polo de produção extrativa e agrícola, especialmente na farinha de mandioca, devido à fertilidade do solo e à localização estratégica para o comércio com Belém.
O historiador Ivanildo também contextualiza a transição que ocorreu em 1758, quando, após a expulsão dos jesuítas por ordem do Marquês de Pombal, o governador da época Francisco Xavier de Mendonça Furtado elevou a aldeia à categoria de vila, substituindo o nome indígena "Araticu" (que no Nheengatu significa "língua de papagaio") por "Oeiras", em referência à herança portuguesa.
Ainda segundo Silva, os grupos indígenas aldeados na Aldeia de Araticu, como os Guaianases e os Maraanuns, foram deslocados pela política de "Descimento", uma prática comum à época, que forçava o agrupamento de povos indígenas em missões organizadas pelos colonizadores. Essa dinâmica fez de Araticu um dos aldeamentos mais prósperos da região.
Apesar das mudanças impostas pelo processo colonial, a história de Oeiras do Pará reflete a resistência e a adaptabilidade dos povos originários e suas contribuições para a formação do município.
Cultura e tradições vivas
Oeiras do Pará preserva um rico patrimônio cultural, que se reflete em manifestações religiosas, populares e artísticas. O Círio de Nossa Senhora d' Assunção, padroeira do município, é o principal evento religioso atraindo fiéis para o novenário e o arraial. Já a cultura popular é marcada por grupos de samba-do-cacete e bois-bumbás, Sítios Arqueológicos, além de festas como o Festival do Camarão, realizado no mês de julho, e o Torneio de Férias, que movimenta a cidade durante todo o mês.
Apesar das ricas tradições, os equipamentos culturais de Oeiras, como a Biblioteca e a Casa da Cultura, enfrentam dificuldades estruturais. Investimentos nessas áreas são essenciais para garantir que as práticas culturais sejam preservadas e transmitidas às futuras gerações.
A força das comunidades ribeirinhas e quilombolas
Com 80% de sua população composta por comunidades ribeirinhas, o município também é lar de 17 comunidades quilombolas, em sua maioria localizadas na região da BR-422, no ano 2022 o Censo populacional de Quilombola apresenta Oeiras com 3.500 pessoas autodeclarada. Essas comunidades são pilares da identidade local, contribuindo para a diversidade cultural e social do município. A Reserva Extrativista Arioca-Pruanã, que integra o território de Oeiras, é um exemplo de como o extrativismo e a sustentabilidade estão profundamente enraizados no modo de vida local.
A luta por melhores condições de vida, infraestrutura e acesso a direitos básicos é uma constante. Políticas públicas voltadas para o fortalecimento econômico e cultural dessas comunidades são fundamentais para promover a justiça social e preservar suas tradições.
O futuro de Oeiras do Pará
Os 267 anos de Oeiras do Pará são um marco de resistência e esperança. O desafio agora é investir em iniciativas que valorizem a história e a cultura local, ao mesmo tempo em que promovam soluções para os problemas atuais. Melhorias na infraestrutura cultural, incentivo ao turismo responsável e apoio às comunidades ribeirinhas e quilombolas podem transformar o município em um modelo de desenvolvimento sustentável.
Histórico do censo populacional
Desde a sua fundação, o município de Oeiras vem passando de gerações por gerações no contexto familiar dentro de seu território, desse modo vem construindo uma cidade formadas por populações de ilhas, rios e estradas, além da zona urbana da cidade. Uma população classificada entre homens, mulheres, crianças e idosos, de várias etnias.
Na classificação de sexo masculino e feminino apresentado pelo IBGE, Oeiras do Pará na planilha abaixo trás dados desde dos anos 2000, 2007, 2010, 2022.
Fonte: Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas - Fapespa
Nesta figura apresenta população Oeirense por dados do IBGE por faixa etária de menos de um ano até 70 ou mais, dos levantamentos populacionais dos anos 2000, 2007, 2010 e o ultimo Censo populacional de 2022.
Neste Gráfico apresentamos a porcentagem populacional por faixa Etária dos anos 2000 até 2022 ultimo censo feito em Oeiras do Pará.
Nesta data especial, a celebração de Oeiras do Pará é também um convite à reflexão sobre o papel de cada cidadão na construção de um futuro mais justo, inclusivo e promissor para o município e suas gerações futuras.
Revisão, Edição: Rafel Novaes