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NEM SÓ DE FESTA VIVE O TURISTA

Cametá e a indústria do turismo

Arodinei Gaia
Por: Arodinei Gaia
21/01/2025 às 12h13 Atualizada em 30/01/2025 às 18h53
NEM SÓ DE FESTA VIVE O TURISTA

Neste começo de ano (2025), o município de Cametá foi incluído no mapa do turismo brasileiro pela Secretaria de Estado de Turismo (Setur) como uma ação de regionalização do turismo. Então vamos pontuar algumas situações em relação ao município nesse importante nicho econômico.

O turista quando viaja procura lugares onde possa ver, assistir e se divertir, ou seja, três elementos que Cametá possui de sobra, no entanto é necessário esforço e investimento por parte do poder público para que o nosso potencial turístico esteja disponível para o visitante.

O fato de Cametá possuir o título de capital do carnaval é espetacular, pois aqui temos o carnaval mais democrático do país. Cametá reúne folia de várias partes como as deslumbrantes Escolas de Samba, Blocos de abadás, fofós de rua, as folias da terra, etc. Porém resumir o nosso atrativo turístico apenas ao carnaval é muito raso, uma pequenez inadmissível, pois nos permite concluir que tão-somente nessa época há o interesse turístico para região, o que não é verdade, uma vez que a Pérola do Tocantins possui potencial para rota do turismo o ano todo.

É válido destacar que nossa riqueza turística é rica, diversificada e linda de se ver, abrangendo vários potenciais campos como o ecoturismo, turismo religioso, histórico, arquitetônico, artístico, etc.

 É preciso, no entanto, arrumar a casa para aguardar a esperada visita. Muitos elementos estão abandonados, outros precisam ser construídos e muitos precisam ao menos ser enxergados.

Neste sentido destaco no campo histórico a estátua de Pedro Teixeira que foi engolida pela urbanização na frente de Cametá, bem como o obelisco que necessita de cuidado. 

                                                    

Outros eventos históricos e personagens da história precisam ser rememorados por meio de monumentos é o caso do cametaense D. Romualdo de Seixas que coroou D. Pedro II. No local de seu nascedouro no Rio Mutuacá seria importante construir um monumento para visitação. Da mesma forma em Cametá Tapera a prefeitura precisa erguer um memorial em homenagem aos índios Camutás e uma estátua alusiva a chegada do francês Daniel de La Touche em 1613 no local onde nasceu o município.

Do mesmo modo, na cultural vila de Juaba, uma estátua em tamanho natural homenageando, ainda em vida, o grande mestre Zenóbio, mentor do fascinante bloco da Bicharada e que hoje faz carreira na capital do estado. O local ideal para tal homenagem é a praça central em frente de sua residência.

O prédio histórico do antigo colégio D. Romualdo de Seixas, hoje, cedido para a Universidade Federal do Pará, é outro ambiente atrativo, ali algumas de suas inúmeras salas deviam receber o museu da literatura cametaense, o museu do carnaval e do extraordinário carnaval das águas, Museu da música cametaense e uma sala permanente para exposição de artes plásticas, valorizando os artistas da terra. O ‘museu casa’ tão procurado no mundo pelo turismo, paresque não parece possível mais aqui por conta da sede capitalista, mas seria estupendo poder visitar a residência onde viveu personalidades como o Poeta Alberto Mocbel, Escultor mestre Penafort, o Músico mestre Cupijó, entre outros.

Do ponto de vista da economia turística, governar é construir museus. Assim da mesma forma precisamos projetar em Carapajó o museu do carnaval e do Marierrê e no Juaba do Bambaê e da Bicharada.

O Espaço Cultural “Bar do Gato”, outro importante espaço de visitação, apresenta um rico acervo de peças, tanto quanto o museu histórico de Cametá. Então, sugiro que o espaço do ativista cultural Flávio Gaia, seja tombado como patrimônio histórico pela prefeitura e seja aberto permanentemente para o público de fora, pesquisadores e estudantes e, claro, que o proprietário seja remunerado para manter o ambiente disponível diariamente.

Lembrando que o turista nem sempre procura festa, Cametá apresenta uma, notável, rota anual de festividade religiosa nas vilas, povoados, nos rios, nas Ilhas e na cidade. São eventos que brilham aos olhos de quem nunca viu da forma que se constitui nessa diversa geografia cametaura. Outro atrativo religioso é a visitação as igrejas históricas tanto da zona urbana quanto rural. Lembrando que os próprios cemitérios e suas histórias são elementos turísticos. Em Cametá, existe cemitério judaico e uma longa história de imigração que precisa ser mostrada.

No aspecto cultural, o município precisa valorizar o que tem de mais identitário como as manifestações musicais do samba de cacete, com destaque para mestre Eduardinho que nos deixou ano passado, o banguê, a bumbarqueira, bandas de fanfarras, bem como as marchinhas e frevos que aqui assumiram uma cara cametaense, além do carnaval como os fofós e blocos tradicionais colocando nesse panteão o mestre Ademir (o Vagabundo) criador do bloco Charles Chaplin. Lembrando que o carnaval raiz, popular, tradicional foi o verdadeiro causador da explosão turística em época de folia na cidade lá no final dos anos 80 e inicio da década de 90.

Não podemos deixar de lembrar da ampliação do Jardim dos Artistas com a chegada de mestre Teobaldo Alves e mestre Clodoaldo. Do mesmo modo lembrar do grande jornalista Dinan Laredo que precisa ser homenageado com uma estátua em seu torrão natal Vila do Carmo do Tocantins.

Outro elemento emblemático do turismo são os suvenís, os visitantes gostam de levar uma lembrança que seja genuíno da terra que visitam, como livros de autores locais, peças de artesanatos, telas de pinturas, esculturas, camisas, etc. Assim, Cametá precisa criar um espaço permanente para os artesãos e artistas disponibilizarem seus trabalhos para venda. O único espaço que há é o da Feira do artesanal na praça Raimundo Peres, porém ocorre apenas aos domingos.

A própria feira livre é um belo ambiente que salta aos olhos do turismo, lá existe um arsenal de produtos da terra, infelizmente, grande parte dos produtos já não é de origem cametaense é importado. Por acaso estamos perdendo a nossa capacidade de transformar a matéria prima da floresta em produtos?

Nossos balneários, praias, igarapés, estão aí para ser vistos e visitados, porém para isso necessita que as estradas e vicinais sejam preparadas para o devido acesso. Os antigos casarões que ainda resistem ao tempo e a indústria imobiliária também são importantes elementos de visitação, porém alguns só ainda mantém a fachada. É a história morrendo aos diante de nossos olhos.

Cametá tem os navios históricos afundados na frente da cidade, a famosa praia da Aldeia, praia de Pacajá, Cujarió, Fazenda, Cametá- Tapera, balneários do rio Cupijó, de Carapajó, de Porto Grande, de Vila do Carmo, de Curuçambaba, Juaba, a Barca em Cuxipiarí, etc.

A pesca do mapará, a quadra junina, festival do aviú, festival do acarí, festival cultural juabense, tirador de reis, festas de padroeiros e demais manifestações populares por toda a extensão do município são temperos para o prato de qualquer turista, que de posse de uma rota e de um calendário, virá para Cametá ver o que não se tem por lá.

Portanto, Cametá tem muito a mostrar e quer os visitantes o ano todo, por isso o refrão: nem só de carnaval vive o turismo, mas de toda manifestação que chame a tenção do turista. Temos muito para mostrar basta descortinar nosso município para o mundo.

Ø  Venha conhecer Cametá, a Pérola do Tocantins, A capital do Carnaval, A terra do mapará e do Campeão do Centenário!!

    ¹Arodinei Gaia de Sousa. Historiador, Escritor, Poeta, Compositor, Colunista, Mestre em Ciência da Educação.

Imagem de capa: Fonte UFPa

 

Imagens: No meio do artigo é a estátua de Pedro Teixeira como era nos anos 80 e como está hoje. No anexo Vista aérea da praia de cametá Tapera. Quadro com Mestre Eduardinho, Mestre Teobaldo, Dinan Laredo e Prof Ademir. Foto do Cordão Última Hora. (Créditos internet). Em baixo Dinei Gaia com mestre Zenóbio, poeta Francisco Mendes e mestra Iolanda do Pilão.

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