Na última sexta-feira, 31 de janeiro de 2025, o evento promovido pelo Fórum da Educação do Campo, das Águas e da Floresta da Amazônia Tocantina (FECAF). Mobilizado por movimentos sociais, escolas, instituições para enfrentar os desafios da educação nas comunidades do campo, quilombolas e ribeirinhas de Oeiras do para. A iniciativa busca fortalecer a luta pelo direito à educação nas comunidades rurais, ribeirinhas e quilombolas da região.
Educação ameaçada pelas transformações socioeconômicas
A plenária ocorre em um contexto de desafios crescentes para as populações tradicionais. A expansão da fronteira agrícola mecanizada, a introdução de commodities como a soja, o avanço da pecuária, a Hidrovia Araguaia-Tocantins e o uso intensivo de agrotóxicos têm impactado diretamente os territórios e a vida das comunidades. Esses fatores têm levado ao fechamento de escolas do campo e quilombolas, aumentando a evasão escolar e dificultando o acesso à educação de qualidade.
Mobilização e construção coletiva
A programação do evento iniciou com um café de acolhimento oferecido por agricultores familiares, seguido por apresentações culturais e debates. A metodologia adotada privilegiou o formato circular, garantindo que todas as instituições e movimentos sociais tivessem espaço para contribuir com propostas. Ao final da plenária, os participantes firmaram um compromisso coletivo para a criação do Fórum Municipal de Educação do Campo e Quilombola de Oeiras do Pará. O documento assinado simboliza um passo inicial na consolidação da luta pelo direito à educação nas comunidades do município.
Depoimentos reforçam a importância do Fórum
Durante o evento, lideranças comunitárias e educadores destacaram a importância da iniciativa. Para Antônio, Professor graduado pela Educação do Campo em Oeiras, a criação do Fórum é essencial para avançar em políticas públicas que atendam às necessidades das comunidades quilombolas e rurais. "Este Fórum será um espaço para fortalecer nossa identidade e nossa luta pelo direito à educação e melhores condições de vida", afirmou.
Everton Cardoso, professor da Escola no Campo, enfatizou a urgência de melhorias na infraestrutura educacional. "Precisamos de escolas que respeitem a realidade do campo, com transporte adequado e acesso ao ensino superior. O Fórum será um espaço para construir soluções coletivas e assertivas", disse.
Ester Maria, diretora do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais, classificou a criação do Fórum como uma trincheira na defesa da educação do campo e quilombola. "Precisamos garantir que a educação chegue a todos os cantos de Oeiras, respeitando nossas tradições e fortalecendo nosso povo", destacou.
Outras vozes também reforçaram a importância do Fórum. Sonia, líder comunitária, apontou o impacto positivo na agricultura familiar e no empoderamento feminino. "O lugar da mulher é onde ela quiser estar, e o Fórum nos dará ferramentas para fortalecer nosso aprendizado e nossa economia", afirmou.
Já Derivaldo, estudante da Educação do Campo, destacou a importância do Fórum para a sobrevivência das escolas rurais. "Com o Fórum, teremos mais representatividade e qualidade na educação. Esse espaço garantira que nossa educação não morra, mas floresça", disse.
Educação como forma de resistência
Para os organizadores, a criação do Fórum de Educação do Campo e Quilombola em Oeiras do Pará é uma estratégia fundamental para fortalecer a educação como um pilar de resistência e defesa dos territórios tradicionais. "Sem escolas no campo e nos quilombos, corremos o risco de perder não apenas o acesso à educação, mas também a identidade e a cultura dessas comunidades", destacaram os articuladores do evento.
A expectativa é que a iniciativa inspire outros municípios da Amazônia Tocantina a adotarem medidas semelhantes, consolidando um movimento regional em defesa da educação do campo e quilombola. O compromisso firmado na plenária representa um avanço significativo na luta por uma educação inclusiva, contextualizada e capaz de garantir o futuro das comunidades tradicionais.
Os representante da Fórum de educação do campo e Quilombola de Oeiras do Pará, aprovado pela plenária representantes que são: Representante da Universidade Federal do Pará: Dr. Oscar Ferreira Barros; Representante da Secretaria Municipal de Educação: Marléia Carneiro Farias; Representante Diretoria de Políticas de Promoção Igualdade Racial e Etnias e Gênero: Cristivan Alves; Representante Quilombola: Claudilene S. da Rocha; Representante do professora: Lidiane de Souza Oliveira; Representante da Ematér: Andrezza Gonçalves; Representante Reserva extrativista: Odéia Santos dos Santos, Lenilson dos Santos Araújo ; Representante do STTR: :Josimar Pereira da Silva/Ester Maria Lopes da Silva; Representante da Colônia Z-50: Rogério Costa Mendes; Representante Escola Estadual Rural de Oeiras do Pará: Prof. Dr. Roble Carlos Tenório Moraes; Rede de pesquisa Climate-U – UFPA, Pesquisa-Ação Participativa (PAR), Representante Coletivos de Governança Territorial na Amazônia Paraense (COGTER): Josafá Lopes Gomes; Representante do SINTEPP: Iolanda Pinheiro Pureza; TURMA educação do Campo ano 2025 – André Mateus Cardoso Siqueira.
Foto: Organização do Evento - Turma da Edução do Campo 2025.