A Comunidade Quilombola do Igarapé Preto, no município de Oeiras do Pará, sediou entre os dias 3 a 7 de fevereiro o Curso de Aperfeiçoamento em Educação Escolar Quilombola. A iniciativa é fruto de uma parceria entre o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão – SECADI/MEC, o Coletivo de Educadores da CONAQ - Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas, a coordenação de educação da Malungu - Coordenação Estadual das Associações das Comunidades Remanescentes de Quilombo do Pará, o núcleo de educação do Cedenpa – Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará, as comunidades quilombolas locais e a Diretoria Municipal de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, de Gênero, Credo e de Etnias de Oeiras do Pará. O curso tem como objetivo qualificar professores em exercício para atender às determinações da Lei nº 10.639/2003 e aprofundar conhecimentos sobre a Resolução CNE nº 8/2012, que estabelece diretrizes para a Educação Escolar Quilombola na Educação Básica.
A presidente da Associação remanescente de quilombo de Bailique-Centro (ARQBI) Ilza Maria dos Santos, frisa a importância do curso para sua comunidade, “É de uma suma importância o Curso de aperfeiçoamento em escolar Quilombola, até porque nesse momento que sou liderança maior dentro do meu quilombo, meu dever é de ir em busca de melhorias pra nossas famílias” destacou a liderança.
O professor da Casa familiar Rural, Josimar Pereira, um dos cursistas, destacou a importância da iniciativa na valorização dos saberes tradicionais. “O curso está proporcionando a oportunidade de organizar as ideias de conhecimento existente e não reconhecido como forma de vida repassada por nossas ancestralidades. Precisamos resgatar e manter viva a verdadeira cultura do nosso povo, muitas vezes inibida pelo sistema através dos meios econômicos e da telecomunicação”.
Para Marinalva Martins, liderança da Associação dos Remanescentes Quilombola de Igarape-Preto a Baixinha (ARQIB) e moradora da comunidade anfitriã, o curso representa um marco na preservação da identidade quilombola. “Para mim, não apenas como liderança, mas também como mãe e avó, saber que a Educação Escolar Quilombola será implantada na sala de aula significa garantir que a história do nosso povo não será esquecida”, declarou.
Capacitação e Impacto
O curso está abordando temas fundamentais, como referencial teórico sobre os estudos africanos e afro-brasileiros, legislação sobre questões raciais e territoriais quilombolas, além de metodologias para integração da história e cultura afro-brasileira nos Projetos Político-Pedagógicos das escolas. Outro ponto de destaque foi a formação de professores como multiplicadores da proposta de inclusão étnico-racial no ensino.
A professora Maria Katiussa Pereira, do Território Quilombola ARQIB, enfatizou a importância desse curso para a educação quilombola. “Esse curso representa uma oportunidade única para os profissionais da educação, pois visa aprimorar nossas práticas pedagógicas ao abordar temas como a promoção da igualdade racial, as especificidades da Educação Escolar Quilombola e a importância do reconhecimento das culturas negras na formação escolar. Ele também nos alerta sobre a relevância das leis que amparam esses direitos e sobre a implementação da cultura afro-brasileira nas escolas do nosso país”.
Sobre o impacto do curso nas escolas quilombolas da BR-422, Maria Katiussa acrescentou: “Tenho certeza de que os profissionais da educação presentes nesse curso de aperfeiçoamento irão transformar suas escolas e seus quilombos. Era um sonho termos essa formação, foram muitos anos de luta para que isso acontecesse. Agora, as sementes estão semeadas nessas escolas”.
Maria Katiussa leciona em dois municípios, Baião e Oeiras do Pará. Atua na Escola Municipal de Ensino Fundamental Zumbi dos Palmares, na educação básica, e na Escola Municipal de Ensino Fundamental de Igarapé Preto, no ensino fundamental maior, ministrando a disciplina de Língua Portuguesa.
A iniciativa reforça o compromisso com a valorização da cultura e identidade quilombola, garantindo que a história dessas comunidades seja ensinada e reconhecida nas escolas. Além de capacitar docentes, o curso também fortalece o movimento de resistência e afirmação da população quilombola, ampliando as oportunidades de educação contextualizada e de qualidade.
Foto: Oraganização do Evento