Terça, 27 de Outubro de 2026
24°C 36°C
Cametá, PA
Publicidade

Estudo aponta metas globais sobre HIV e usuários de drogas

O estudo aponta que, entre os focos principais, está a população de usuários de drogas injetáveis, um grupo vulnerável que enfrenta desafios no ace...

Redação
Por: Redação Fonte: Agência Dino
07/03/2025 às 15h28
Estudo aponta metas globais sobre HIV e usuários de drogas
Canva

Publicação realizada no site da UNAIDS sobre a Estratégia Global para AIDS 2021-2026, elaborada pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), estabeleceu metas para erradicar a AIDS como ameaça à saúde pública até 2030. O estudo aponta que, entre os focos principais, está a população de usuários de drogas injetáveis, um grupo vulnerável que enfrenta desafios no acesso à prevenção, tratamento e suporte social. Segundo os dados apresentados, em 2022, entre 480 mil e 880 mil pessoas morreram devido à AIDS, ressaltando a necessidade de políticas públicas eficazes e inclusivas.

O relatório indica que o estigma e a discriminação seguem como barreiras críticas para a efetividade dos programas de prevenção. Conforme informado na publicação do UNAIDS, uma média de 30% dos usuários de drogas injetáveis, nos cinco países que reportaram dados, relataram ter sofrido discriminação nos últimos seis meses. Além disso, em oito dos 14 países que forneceram informações recentes, mais de 10% dos usuários evitaram buscar serviços de saúde devido ao receio de serem estigmatizados.

Entre as metas estabelecidas até 2025, de acordo com a publicação, está a redução para menos de 10% dos países que criminalizam a posse de pequenas quantidades de drogas. Atualmente, a publicação informa que 145 países ainda possuem legislações que punem esses usuários, dificultando a adesão a serviços de saúde. O relatório aponta dados que indicam que, em 2019, cerca de meio milhão de pessoas morreram de causas relacionadas ao uso de drogas, sendo 15% dessas mortes atribuídas ao HIV. Para enfrentar esse cenário, a publicação da UNAIDS recomenda a descriminalização como estratégia essencial para ampliar o acesso a serviços de saúde e redução de danos.

O estudo informa ainda que, no campo da prevenção, a meta global é garantir que 95% das pessoas em risco de infecção pelo HIV tenham acesso a opções eficazes e adequadas. No entanto, conforme demonstrado pelos dados, nos 20 países que reportaram informações, apenas 37% dos usuários de drogas injetáveis receberam pelo menos dois serviços de prevenção ao HIV nos últimos três meses. Programas de distribuição de seringas e agulhas estão ativos em 92 países, mas apenas cinco dos 44 que relataram informações atingiram a meta recomendada de 200 seringas por usuário ao ano.

Sobre o assunto, Geovanni Banegas Alves, diretor e responsável pela Clínica de Recuperação Vida Serena Premier, afirmou que o estudo destaca desafios críticos enfrentados pela população de usuários de drogas injetáveis no contexto da epidemia de HIV/AIDS e do ponto de vista de um especialista da clínica de reabilitação em Cuiabá, Mato Grosso, esses dados reforçam a necessidade de uma abordagem integrada, que vá além da redução de danos e da descriminalização, incluindo também estratégias robustas de reabilitação e reinserção social. “A dependência química é uma condição multifatorial que exige um suporte abrangente, combinando tratamento médico, psicológico e social. A discriminação e o estigma, apontados como barreiras ao acesso aos serviços de saúde, também dificultam a adesão dos pacientes aos programas de recuperação, tornando essencial a criação de ambientes terapêuticos acolhedores e eficazes”.

Em relação ao tratamento, o relatório aponta que a meta é que 95% das pessoas que usam drogas injetáveis conheçam seu status sorológico para HIV. Atualmente, 61% desse grupo realizou testes e recebeu os resultados nos últimos 12 meses. A publicação também informa que o UNAIDS também busca ampliar o acesso à terapia de manutenção com agonistas opioides (OAMT), um tratamento essencial para dependentes de opioides. No entanto, dados recentes apontam que apenas três países alcançaram a meta de atender ao menos 50% dos usuários de drogas injetáveis com OAMT.

Perguntado sobre o relatório, Geovanni afirmou que enquanto a descriminalização pode contribuir para a redução da marginalização e ampliar o acesso aos serviços de saúde, ela deve vir acompanhada de políticas que incentivem a recuperação e o tratamento, oferecendo suporte para que os dependentes possam reconstruir suas vidas. “O investimento em programas que combinem prevenção, redução de danos e reabilitação completa é fundamental para quebrar o ciclo da dependência e minimizar os impactos do HIV/AIDS nessa população vulnerável”.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Divulgação/Vibra
Sociedade Há 5 horas

Vozes pela Proteção rompe silêncio sobre violência sexual

Iniciativa do Movimento Violência Sexual Zero percorre cinco capitais brasileiras entre outubro de 2026 e o primeiro semestre de 2027, combinando instalação imersiva, musical, rodas de conversa e ações educativas para ampliar a conscientização e a...

Freepik
Sociedade Há 8 horas

Retrofit valoriza imóveis em SP e exige rompedor compacto

O Centro de São Paulo reúne 49 edifícios em processo de requalificação, com 13 obras concluídas e potencial para cerca de 5 mil moradias, segundo a Prefeitura. Em maio, uma portaria municipal criou um grupo técnico para agilizar o licenciamento da...

Foto: Reprodução
Sociedade Há 9 horas

Municípios mineradores podem perder R$ 2 bi com reforma

Estudo da UFMG aponta risco de perdas bilionárias com a mudança na distribuição dos impostos. Impactos da reforma, que terá novas etapas a partir de 2027, estarão entre os temas do Encontro Nacional dos Municípios Mineradores, que será realizado e...

Pexels
Sociedade Há 1 dia

Concurso da PM de SC abre inscrições para 500 vagas

Concurso Público para Soldado exige nível superior e oferece remuneração de R$ 8.505 durante o curso de formação, mais auxílio-alimentação de R$ 550. Inscrições vão até 16 de novembro.

Anderson Fernandes (Agir)
Sociedade Há 1 dia

Agir fortalece pesquisa e lança revista científica em saúde

Novo periódico institucional, apresentado na 7ª Jornada Científica Agir, reunirá produções técnico-científicas nas áreas de saúde, gestão, inovação, educação e pesquisa aplicada