
Em ato datado de 30 de outubro de 1769, o Governador e Capitão-General do Estado do Grão-Pará e Maranhão Fernando da Costa de Ataíde e Teive de Sousa Coutinho teria reconhecido a sesmaria doada a Antônio Baião, transformando-a em Diretório de índios do Lugar de Baião.
Porém, ao considerar a concessão da sesmaria, o mito de origem da cidade, em todas as fontes pesquisadas, possui sempre as mesmas características: no ano de 1694, Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, Donatário da Capitania de Cametá, concedeu a um portugues de nome Antônio Baião uma sesmaria, impondo-lhe, como condições, uma localização afastada de Cametá e a construção de uma casa grande e decente.
Através dessa narrativa, identificada primeiramente na obra de Ferreira Penna, Antônio Baião pode ter sido o primeiro sesmeiro da região, porém, não o único, já que, vizinhos a ele, existiram, por exemplo, os sesmeiros Antônio de Souza de Azevedo (Marariá) e José Esteves da Ponte (Limão e Engenho).
Em 1738 durante o violento processo de colonização da região várias nações indígenas que habitavam essa parte do rio Tocantins sofreram escravização sob justificativa de “guerras justas”. Quase todos os sesmeiros da região serviram de testemunha em um processo para declarar “guerra justa” às nações do Tocantins.
Setenta e cinco anos após a suposta doação da sesmaria, em 30 de outubro de 1769, devido às políticas de ocupação promovidas pelo Marques de Pombal, o Governador e capitão-geral do Estado do Grão-Pará e Maranhão Fernando da Costa de Ataíde e Teive de Sousa Coutinho, a transforma em lugar de Baião, cujo primeiro Diretor foi Manoel Carlos da Silva, Capitão de campo e morador de Cametá.
Outro registro importante consiste no mapa de populações de 1778, onde constam os seguinte moradores:
José Caetano Soares da Costa, Manoel Carlos Da Silva, Alexandre Luiz Cardozo, Manuel Simões, José Pacheco de Andrade, Dona Maria Paes de Souza, Estevão Dias da Rocha, Dona Catharina Paes de Oliveira, Manoel Leite Craveiro, João da Silva Villa Real, Manoel Antônio de Lacerda e Manoel Alvarez Chaves. O mesmo mapa de populações totaliza 121 escravizados africanos, que não foram nomeados.
Os dados apresentados nas documentações históricas acessadas, permitem concluir que a maior parte da população era composta por escravizados (indígenas e negros). Além disso, também informam sobre lugares e comunidades tradicionais até hoje existentes em Baião, como: Marariá, Limão, Matacurá e Manaperí.
Atualmente, Baião conta com uma população de 51.641 habitantes, 1 terra indígena, 1 Reserva extrativista e está entre os 10 municípios com maior quantitativo de pessoas quilombolas. Em abril de 2024 a Prefeitura de Baião deu um passo importante rumo ao reconhecimento da importância histórica do Município, entregando à população, reformado, sinalizado e em funcionamento, o “Casarão dos Seixas, prédio histórico construido em 1888 por Antônio José Correa Seixas.
Com as obras de asfaltamento da trecho Baião - Breu Branco da PA 151, a seca ocasionada pela crise climática, os incêndios, a eminente dragagem de suas belas praias pela Hidrovia Araguaia Tocantins e a invasão do mexilhão dourado, Baião tem vários desafios ambientais e estruturais pela frente, o que demanda uma atuação mais vigilante e participativa das comunidades e disposição das próximas gestões.